Quando se espera demais de um filme... Gosto do Walter Salles Jr. e li vários livros de Jack Kerouac desde a adolescência, junto com os outros livros da geração beat. Não sei como o filme impactou aqueles que não leram o livro, mas pela repercussão baixa, não foi muita coisa.
Bom, acho que falta ao filme o clima beatnik de maneira a permitir bebermos e amarmos junto com Sal. Ele parece distante, ele não é o narrador. Os atores não se parecem com o que imaginamos e vemos nas fotos. Eles também não se parecem com o descrito por Kerouac. Bill e Allen são os melhores, mas mesmo assim ficam coadjuvantes.
O underground foi pouco caracterizado. Esperava mais de NY e Frisco.
Não é ruim, mas eu queria mais.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
sábado, 26 de abril de 2014
Mrs Miracle (Milagre em New York)
Filme para uma sessão da tarde de véspera de Natal. Moça tem que cuidar de sobrinho que perdeu a mãe e o pai foi servir no exército. Numa manhã qualquer, ela não tem dinheiro para o café e é salva por um desconhecido que é filho do dono de uma loja de brinquedos de Natal. Ele é gerente e faz uma aposta em não vender o brinquedo preferido (um robô) e aposta nos tradicionais. A senhora milagre aparece do nada e se torna uma vendedora que vai resolver todos os pequenos probleminhas que o filme coloca e todos serão felizes para sempre. Para assistir com as crianças...
Django Unchained
É Quentin Tarantino... gosto de muitos dos seus filmes e da sua linguagem. Muda a estória, mas tem a sua marca na violência crua-fotográfica (com direito a HD slow motion) e no desejo de vingança.
Django não trouxe nada muito novo. O excelente Christopher Waltz e a sua ameaça aterrorizante nos relembra Inglorious Bastard desde o início. Talvez por ele ser muito teatral na fala e na ameaça, não sei bem. O cenário de Western no início, embora o foco deveria ser as fazendas de escravos, nos lembra True Grit com a caça em cavalos aos malfeitores. As cenas de violência não tem a esperteza sutil, mas apenas a habilidade dos velhos westerns, dos super-heróis da Marvel e do Tarantino.
O filme tem claramente duas partes, a busca pela recompensa (me lembrou True Grit) e a busca pela princesa (me lembrou Walt Disney) cujo fim explosivo na frente do castelo a cavalo me fez lembrar a Bela Adormecida.
O que mais vale no filme é Samuel Jackson. Simplemente sensacional. Sua personagem (que deve ser criação de Tarantino) é também muito boa. É ele quem manda na estória final e no filme.
Pena que os cineastas inovadores dos anos 00 começam a se repetir e a se referenciar (ou desomenagear).
Django não trouxe nada muito novo. O excelente Christopher Waltz e a sua ameaça aterrorizante nos relembra Inglorious Bastard desde o início. Talvez por ele ser muito teatral na fala e na ameaça, não sei bem. O cenário de Western no início, embora o foco deveria ser as fazendas de escravos, nos lembra True Grit com a caça em cavalos aos malfeitores. As cenas de violência não tem a esperteza sutil, mas apenas a habilidade dos velhos westerns, dos super-heróis da Marvel e do Tarantino.
O filme tem claramente duas partes, a busca pela recompensa (me lembrou True Grit) e a busca pela princesa (me lembrou Walt Disney) cujo fim explosivo na frente do castelo a cavalo me fez lembrar a Bela Adormecida.
O que mais vale no filme é Samuel Jackson. Simplemente sensacional. Sua personagem (que deve ser criação de Tarantino) é também muito boa. É ele quem manda na estória final e no filme.
Pena que os cineastas inovadores dos anos 00 começam a se repetir e a se referenciar (ou desomenagear).
domingo, 13 de abril de 2014
Life of PI (As aventuras de PI)
Cinema puro. Cinema fotográfico. A palavra cinema aqui não é apenas filme ou sala de exibição, mas à exploração da técnica para fazer a arte de contar uma estória com audio e vídeo. E este filme é sobre estórias: a que assistimos, a que o protagonista (PI) conta ao parceiro de cenas, a que ele anota no caderninho, e a que ele conta aos investigadores mexicanos. E Ang Lee conta isso com um domínio de técnicas e tecnologias para fazer isso de uma forma belíssima. E as estórias são um pouco de fábula sobre a vida e a sobrevivência.
Mas o filme não me empolgou. A estória em si não prende e não é nova. Um náufrago que perde a família e tem que sobreviver. A novidade é o tigre Richard Spark... que nem agradece.
Mas o filme não me empolgou. A estória em si não prende e não é nova. Um náufrago que perde a família e tem que sobreviver. A novidade é o tigre Richard Spark... que nem agradece.
Argo
Nos primeiros segundos, uma ótima aula de história. Nos primeiros 10 minutos o suspense da invasão da embaixada americana no Irã pelo povo, deixando os americanos reféns. Seis deles conseguem fugir para a embaixada do Canadá. 69 dias depois o filme vai para a casa do herói e em seguida para a CIA. Sua missão é resgatar os seis que estão na embaixada. O plano é que eles vão escolher um local de filmagem em Teerã. Já sabemos o fim, mas a forma como é contada, o excelente elenco e a ótima reconstituição de época fazem o filme merecer os prémios que recebeu. Ben Affleck é excelente ator e diretor, além do roteiro já premiado no início da carreira. O roteiro deste é muito bom, simple e linear, mas com o suspense necessário para um filme com história conhecida.
Foreverland (A vida é para viver)
Narrado na primeira pessoa de um personagem de 20 anos que já sabe que vai morrer (mas todos sabemos que vamos morrer, não?) cedo. Ela já escolheu um caixão caríssimo e o vendedor tenta convence-lo que ele deveria estar pensando em carros. Ele tem fibrose cística e precisa tomar medicamentos e fazer fisioterapia diariamente. O início do filme conta esta estória de forma cativante.
Daí, um companheiro de hospital de mesma idade morre. Ele recebe no testamento a missão de colocar a cinzar no Santuário del Sol, no Mexico. Ele vai nesta viagem com a irmã do amigo. Começam com um Mustang, mas é roubado no primeiro dia. O filme vira um road movie para adolescente com acontecimento bobos e cliches. No fim, chegam ao santuário. No fim, ficam juntos e tem um filho. E no fim a vida foi bem vivida e ele vai viver para sempre.
Daí, um companheiro de hospital de mesma idade morre. Ele recebe no testamento a missão de colocar a cinzar no Santuário del Sol, no Mexico. Ele vai nesta viagem com a irmã do amigo. Começam com um Mustang, mas é roubado no primeiro dia. O filme vira um road movie para adolescente com acontecimento bobos e cliches. No fim, chegam ao santuário. No fim, ficam juntos e tem um filho. E no fim a vida foi bem vivida e ele vai viver para sempre.
domingo, 30 de março de 2014
Os decendentes
Eles e os primos são herdeiros de uma ilha no Hawai Kauai que está sendo negociada e vai lhes deixar com muita grana. Mas isso não importa. Sua mulher está em coma e ele tem uma filha entrando na pré-adolescência e outra saindo. Não tem mais saída e só lhe resta contar aos familiares e amigos que as máquinas serão desligadas. Assim, resolve contar a todos, começando pela filha que conta que ela tinha um amante, um corretor.
Ele é desempenhado por George Clooney num ótimo papel de um pai fraco e marido traído. Uma pessoa comum, numa vida comum, num lugar comum, exceto pelo fato de ser Hawai que é mostrado com um lugar qualquer sem explorar as suas belas paisagens. São vizinhanças de classe média alta que vivem como a maioria dos americanos. (As pessoas locais foram esquecidas).
O filme é chato. A linguagem é simples e mostra que as câmeras de hoje tem qualidade e contam história de qualidade. Os personagens atuam como pessoas comuns, como uma família comum. Gostei na filha mais velha.
Mas é um filme sobre morte, sobre vida e sobre família e sobre lidar com pessoas e sobre a despedida final.
Ele é desempenhado por George Clooney num ótimo papel de um pai fraco e marido traído. Uma pessoa comum, numa vida comum, num lugar comum, exceto pelo fato de ser Hawai que é mostrado com um lugar qualquer sem explorar as suas belas paisagens. São vizinhanças de classe média alta que vivem como a maioria dos americanos. (As pessoas locais foram esquecidas).
O filme é chato. A linguagem é simples e mostra que as câmeras de hoje tem qualidade e contam história de qualidade. Os personagens atuam como pessoas comuns, como uma família comum. Gostei na filha mais velha.
Mas é um filme sobre morte, sobre vida e sobre família e sobre lidar com pessoas e sobre a despedida final.
terça-feira, 25 de março de 2014
Gonzaga - de pai para filho
Drama que conta as histórias de Luiz Gonzaga e do seu filho Gonzaguinha, com o foco nas divergências que marcaram o relacionamento entre eles. A maneira como os conflitos marcaram a vida dos dois é muito bem contada e dá ao filme uma conotação dramática bem interessante. O filme é tecnicamente bem cuidado, sem firulas, e com o realismo típico dos bons filmes brasileiros. Não há no filme entender detalhes da criação musical do dois, apenas um resumo linear da carreira de Gonzagão, sem discutir seu processo criativo. Sobre o grande talento de Gonzaguinha quase nada.
The Way Back (assistido em 5/3/14)
Drama de sobrevivência de 10 refugiados de diferentes nacionalidades que escapam de um campo de prisioneiros da Sibéria. Sobrevivem ao trio e neve nas florestas da Sibéria e aos desertos da mongólia. Passam fome e sede e têm que pescar e caçar para sobreviver. Ao longo do caminho alguns não resistem. O final é piégas com a volta para casa para encontrar a mulher amada que foi a delatora sob tortura do líder da fuga.
Somos tão jovens
Bom filme sobre Renato Russo e muito interessante para quem acompanhou a emergência do rock de Brasilia no início dos anos 80. O filme tem uma narrativa linear simples focando na personalidade do músico. Com um ótimo desempenho do ator Thiago Mendonça, temos um pouco das mudanças juvenis e da evolução do cantor apresentada de forma realista, embora nem tudo no filme seja totalmente fiel ao que ocorreu. Valeu muito assistir.
quarta-feira, 5 de março de 2014
The Counsellor (assistido em 21/2/14)
Excelente elenco em um filme de traficantes de droga com traição e muitas mortes. Quem entra no ramo não escapa. Javier Bardem, Penelope Cruz, Brad Pitt, Cameron Diaz.
Anonymous (assistido em 23/2/14)
Ficção inglesa da época de Shakespeare e de Elizabeth I que conjectura como sendo de Edward de Vere, conde de Oxford, suposto filho da rainha, o autor das obras de Shakespeare. O filme conta ainda os bastidores da sucessão de Elizabeth I tramada por William e Robert Cecil (pai e filho).
Boogie Woogie
Filme inglês com a cena da arte moderna de Londres. Bons atores e belas atrizes, cenas sensuais. Traição e se dar bem. Trair é uma arte, como no título em português.
terça-feira, 25 de junho de 2013
The Magic of Belle Isle (O reecontro)
Filme bobo e bonito para se ver em família com as crianças. Busca pregar valores simples sobre família, relacionamentos e literatura. Inglês fácil de entender, muito útil para aprendizes. O filme segue uma linguagem cinematográfica bem clara com um roteiro amarrado pelas técnicas de Hollywood... tudo o que acontece num instante, num diálogo, vai ser citado posteriormente.
domingo, 23 de junho de 2013
J Edgar
Biografia do ex-diretor e fundador do FBI dirigida por Clint Eastwood. Segue duas linhas de tempo: o fim da carreira e o início e ascenção. Personagem mitológico e controverso. Tem falas interessantes sobre como a direita pensa. A linguagem é centrada na autobiografia. Do meio por fim é também um filme gay.
domingo, 16 de junho de 2013
Phil Spector
Muito bom. Filme para TV da HBO. Mas a linguagem é de cinema, a fotografia é de cinema e dos diálogos são de cinema inteligente. É baseado em fatos reais. É um filme sobre personalidades: um famosos produtor musical acusado de matar a esposa e prestes a ir a juri e a advogada experiente que vai defende-lo. O título não é justo. Não é uma biografia nem uma história do julgamento. É um filme sobre a defesa de um suspeito de assassinato no qual nem a própria advogada tem certeza sobre os fatos. É uma descrição da personalidade de Phil Spector e como isso foi um agravante no julgamento. O filme não mostra a condenação, pois a advogada tem sua doença agravada e não pode comparecer. O filme é portanto os fatos do ponto de vista da advogada. Brilhantes intepretações de Al Pacino e Helen Mirren, atores já ganhadores do oscar. Por isso também o filme é ótimo.
sábado, 1 de junho de 2013
Moneyball (O homem que mudou o jogo)
Filme de jogo e de vencedor. Baseado em uma história biográfica, o protagonista busca quebrar a maneira convencional de fazer as coisas e de desacreditado vira vencedor. Desta vez ela não é técnico e nem jogador, mas o gerente responsável pela compra e venda dos jogadores. Ele usa um método estatístico de avaliar jogadores criado por um economista formado em Yale. O filme é correto em roteiro, fotografia e direção. Os autores correspondem, embora Brad Pitt não está nos melhores.
sábado, 4 de maio de 2013
You Will Meet a Tall Dark Stranger
Woody Allen. Londres. Pai, Mãe, Filha, Marido e os outros. As imagens indicam Londres. O narrador explica a separação dos quase septuagenários pai e mãe. Ele não aceita a velhice e se apaixona por uma prostituta que contratou. Ela devastada, procura uma vidente que funciona como uma terapeuta. O casal filha e genro não estão bem. Ela busca emprego e ele larga a medicina para ser um escritor. E não tem sucesso. O casamento não vai bem. Ele mediocremente flerta e destroi o iminente casamento da indiana que fica no apartamento de frente. Ela sente-se atraida pelo chefe, dono de galeria. A mãe encontra um viúvo e o pai flagra a noiva traindo e fica sabendo que ela está grávida. Ninguém termina feliz. Alias, a história não termina. Foram instantes.
La mala educación (Má educação)
Almodovar. Histórias de relacionamentos que têm mistérios e reviravoltas. Elenco quase todo masculino. Paixões. Escola e Cinema. Ignacio e Juan e Angel. Padre Manolo e Sr Berenguer. Enrique. Os cincos e seus relacionamentos desde a infância. Vidas reais e personagens. Filme e metafilme. Drogas e prostituição. Damas e travestis.
Quando criança, Ignacio frequentou seminário, apaixonou por Enrique e o Padre era apaixonado por ele. Mas o filme começa no tempo atual. (Spoiler) Ignacio está morto, seu irmão Juan faz-se passar por ele. Apresenta um conto a Enrique que agora é cineasta e o conto é contado em filme, com passado e presente se confundido e se esclarecendo.
Interpretação Gael Garcial Bernal é excelente. O momento no qual ele transa é autêntico.
Quando criança, Ignacio frequentou seminário, apaixonou por Enrique e o Padre era apaixonado por ele. Mas o filme começa no tempo atual. (Spoiler) Ignacio está morto, seu irmão Juan faz-se passar por ele. Apresenta um conto a Enrique que agora é cineasta e o conto é contado em filme, com passado e presente se confundido e se esclarecendo.
Interpretação Gael Garcial Bernal é excelente. O momento no qual ele transa é autêntico.
Crossroads (Encruzilhada)
Filme de 1986. Eu ja havia assistido parcialmente na época. O filme é o uma homenagem às raizes do blues (Delta Blues) misturando ficção com Robert Johnson. Um road movie que começa com o prodígio violonista e fanatico bluseiro de apenas 17 anos que tenta conhecer pessoalmente Willie Brown, internado em um asilo, que foi parceiro de RJ. Filme homenageia bem o blues, mas o jovem ator Ralph Maccio não convence como bluesman. O velho é sensacional, e o filme poderia ser out of date, mas os cabelos do rapaz e de France, a menina de 15 anos que eles encontram na estrada são típicos anos 80. O road movie vai razoavelmente bem até os 15 minutos finais com um duelo de guitarras do garoto com Steve Vai que não faz o menor sentido. E o filme termina com a quebra de um pacto marcado.
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